PortoGrafia: sessão de encerramento Junho 29, 2010
Posted by vivacidade-espaço criativo in Exposições, Fotografia, Música, Viagens.Tags: arte, blogosfera, ensemble trilogia, Exposições, fotografia, galiza, grande porto, imago mundi, junho, Música, norte, pedro freire de almeida, Porto, PortoGrafia
trackback
A sessão de encerramento de PortoGrafia decorreu esta tarde com a presença do autor, Pedro Freire de Almeida, que repetiu o aviso feito aquando da apresentação: “Se PortoGrafia fosse uma exposição, não haveria mais nada a acrescentar, ela bastaria por si. Mas é um objecto esquisito que não é bem fotografia, nem genuína ilustração, e depois tem o texto que deriva da imagem, para contamina-la em seguida: PortoGrafia pretende ser uma narrativa sobre o Porto e guia “para perdição dos incautos caminhantes pela cidade antiga.”

"As imagens de PortaGrafia tentam captar essa luz brilhante e sombria que faz do Porto uma cidade "demasiado" a Norte." (Pedro Freire de Almeida no encerramento)
Com o apoio duma apresentação em power-point, Pedro Freire de Almeida expôs dois pontos de vista que tem ouvido com frequência “Tal como a Atlântida, o Porto afundou-se” ou “O Porto?! O Porto nunca existiu.” Para depois concluir que, “se realmente existe, se ainda não foi ao fundo, o Porto é assunto mal arrumado na cabeça dos Portuenses.”
A dificuldade dos Portuenses em representar a sua cidade, de lhe dar um sentido, muitas vezes reforçada com um bairrismo que isola o Porto no estreito anel da Estrada da Circunvalação (“Do outro lado da ponte já é Marrocos…”), retira qualquer valor e conteúdo à expressão “à moda do Porto“, transformando-se mais num ôco “a modos de” ou “tipo coisa e tal, tás a ver?“
Reflectindo sobre o sentido original de Portucale (“PortoGaia”), alargando para a malha urbana do Grande Porto e para a Região Norte, Pedro Freire de Almeida conclui: “Há mais Porto para lá do Porto“. E se estivermos atentos às sonoridades do falar à “Puârto” iremos pelo Minho acima, passando pelas terras mais a norte até às Rias Altas Galegas: é o ”país da morrinha e, simultâneamente, da loucura são joanina!” Nesse sentido, insiste, “o Porto é uma Nação” e eixo dinâmico que une o Norte ao Sul, o Litoral ao Interior. A geografia “é uma fatalidade que se impõe mesmo quando se apaga a memória: ela reaparece encenando novos futuros“.
E quem tiver atento “às ribeiras subterrâneas que correm pela cidade pode constatar que há renovação, criação e cidadania prontas a rebentarem à superfície“. As cidades morrem de morte natural mas algumas renascem, diz Pedro Freire de Almeida.
O ensemble Trilogia, composto por Sara Araújo (clarinete), Ricardo Caló (teclado) e Margarida Costa (soprano), actuaram tocando vários temas no início e no fim da sessão.
PortoGrafia estará ainda em exposição até à próxima 6ªfeira.




[...] é um projecto de fotos e textos sobre a cidade do Porto, que já esteve exposto no Vivacidade – Espaço Criativo, nesta cidade, de Maio a Julho deste ano. Agora ampliada para 38 fotografias e blocos de texto, [...]